sábado, 18 de agosto de 2018

#DiárioDaFaculdade: 7 motivos para NÃO fazer faculdade de Arquitetura e Urbanismo #29

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Arquitetura e Urbanismo (sempre esquecido) é um curso que nos últimos anos vem ganhando bastante visibilidade, admiração e respeito ao redor do mundo.

Sendo visto como um bom curso, essa profissão tem um leque de possibilidades de empregos muito amplo, sendo possível trabalhar em diversas áreas, com diversos profissionais (engenheiros, designers, funcionários públicos), por isso, e por outros motivos, tem despertado o interesse e a curiosidade de muitas pessoas.

Porém, nem tudo são flores, nem tudo é bom, e eu acho muito importante que o estudante que pretende cursar Arquitetura e Urbanismo saiba disso antes de entrar na faculdade. Aqui estão 7 motivos para NÃO fazer faculdade de Arquitetura e Urbanismo.


1) Curso muito difícil.
Eu sei que para algumas pessoas isso pode não significar nada, assim como para mim não significava quando as pessoas me falavam isso antes de eu começar a faculdade, mas SIM, isso é uma coisa muito importante de se falar.
Se você é uma pessoa que não gosta de estudar, que não gosta de fazer muitos trabalhos, que não gosta de pensar, que não gosta de ser desafiado, que só quer pensar na faculdade no horário da aula, desista, arquitetura NÃO é para você.


2) Muitos trabalhos para fazer.
Esse tópico é um elemento do tópico anterior, só que mais detalhado.
Arquitetura e Urbanismo é um curso que é muito puxado por causa da quantidade de trabalhos que os estudantes têm que fazer no pós-aula. O estudante de arquitetura só vai aprender colocando a mão na massa, porque o conhecimento adquirido no curso não é teórico, como jornalismo, por exemplo, o conhecimento é prático. Só colocando a mão na massa, só fazendo obras e vendo o que dá errado, que aprenderemos.
Então, de novo, se você só quer pensar na faculdade no horário da aula, é melhor desistir, arquitetura não é para você.


3) Tem relativamente bastante cálculo.
Mais um motivo que torna o curso difícil.
Arquitetura tem relativamente bastante cálculo. O "relativamente" significa que tem mais cálculo que cursos de humanas e biológicas, como direito, medicina e odontologia, por exemplo, porém, tem bem menos cálculo que cursos de exatas, como engenharias, física e matemática.
Assim como não se compara à quantidade de cálculos de cursos de humanas, que dificilmente tem algum cálculo, não se compara à quantidade de cálculos de cursos de exatas, que SÓ tem cálculos. Arquitetura é um meio termo.


4) É muito cansativo e estressante fazer projetos.
Isso é mais uma coisa que eu acho muito importante dizer, porque antes de eu entrar no curso eu não tinha noção de que seria tão cansativo e tão estressante.
É cansativo, porque são muitos trabalhos para fazer.
É estressante, porque os muitos trabalhos têm que ser feitos em grupo, e trabalho em grupo só serve para causar brigas e acabar com amizades. Não dá. Lidar com ser humano é difícil, porque as pessoas pensam de maneira diferentes, as pessoas têm gostos diferentes, e se você não souber ceder quando necessário, vai dar briga. Todo mundo tem que ceder em algum momento, não dá para tudo ser sempre do seu jeito.
Talvez se os trabalhos fossem individuais, não seria tão estressante, mas com certeza seria muito mais cansativo, já que trabalho individual é tudo por sua conta, não tem divisão de função, como tem em trabalho em grupo. E parando para pensar nisso, talvez fazer tudo sozinho acabe sendo super estressante, porque é muita coisa para fazer sozinho. Então, acho que vai de cada um mesmo, depende do trabalho e do grupo.


5) Tem que fazer muitas maquete ao longo do curso.
Esse é um tópico que só quem faz arquitetura vai entender.
Antes de começar o curso, você pode achar que gosta de fazer maquete, mas depois que você começar, você vai ver que NÃO, você NÃO gosta de fazer maquete. Ninguém gosta de fazer maquete. Maquete é uma coisa chata, cansativa, estressante, que demanda muito tempo e atenção, e que provoca muita discórdia.
Se você faz arquitetura e nunca pensou em desistir do curso enquanto estava fazendo uma maquete, você está fazendo o curso errado.
Já estou avisando porque né, é bom já ir se preparando, não ir criando muitas expectativas, para não se decepcionar.


6) Tem que estudar muito.
Justamente por ser um curso muito difícil, você vai ter que estudar muito. Não adianta, mesmo que você seja a melhor pessoa em cálculo, você vai ter que estudar. Não tem como aprender topografia, cálculo de dilatação, cálculo de resistência, cálculo de acústica, cálculo de estrutura, sem estudar.
Por isso volto naquela questão que já falei, se você só quer pensar na faculdade quando estiver na aula, desista, que arquitetura não é para você.


7) Exige dedicação em tempo integral.
Por causa de todos os tópicos que já citei aqui (muitos trabalhos para fazer, muito cálculo para treinar, muita coisa para estudar), arquitetura é um curso que exige dedicação em tempo integral. É muita coisa para fazer em pouco tempo, então você NUNCA vai chegar em casa, depois da aula, e vai assistir Netflix ou vai à barzinhos depois da aula. Estudante de arquitetura e urbanismo SEMPRE tem alguma coisa para fazer, ele nunca vai ficar à toa na vida - nem mesmo nas férias. Férias é o período que o estudante de arquitetura vai correr atrás de tudo o que ele aprendeu mais ou menos no semestre, e vai realmente aprender para ficar craque. Férias é o período de aprimorar o que você já sabe. Férias é o período de ir atrás de conhecimento extra.



Então, basicamente, o que estou dizendo é que: se você é uma pessoa que não quer ter trabalhos pós-aula, desista de arquitetura, porque o que mais tem é trabalho pós-aula.

Você NUNCA vai ficar à toa na vida, você vai passar muitas noites em claro para terminar projetos, você vai pensar em desistir do curso muitas vezes ao longo da sua formação (você vai se questionar se é isso que realmente quer), você vai querer matar algumas pessoas, você vai chorar, você vai se estressar, você vai ter que deixar de sair para fazer coisas da faculdade, você vai brigar com amigos por causa de pensamentos diferentes, tudo isso para, no final, você sair um profissional que vai trabalhar com o sonho das pessoas, porque ter uma casa é a realização de um sonho, então só faça se for por amor. 

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Antes de encontrar a pessoa certa, você tem que se apaixonar por 6 tipos de pessoas

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Antes de encontrar a pessoa certa, você tem que se apaixonar por 6 tipos de pessoas:

O 1º, pelo seu melhor amigo.
Você aprenderá o significado de amizade verdadeira.

O 2º, por alguém que você acha que é perfeito.
Você aprenderá que ninguém é perfeito.

O 3º, por alguém exatamente como você.
Você aprenderá quem você é e quem você quer ser.

O 4º, por alguém problemático.
Você aprenderá que as pessoas só mudam se quiserem mudar.

O 5º, por alguém que não gosta tanto de você como você gosta dela.
Você aprenderá que o amor não deve ser implorado.

O 6º, por um babaca.
Você aprenderá o seu valor.


No final, você vai aprender o ensinamento mais importante de todos: que o amor não pode ser definido, medido, controlado ou julgado, ele é apenas... sentido.

O amor é transformador. Ele é o único que pode te salvar ou te afundar de vez. Então, acredite nele. Acredite no tanto que você pode amar a pessoa certa, se amou tanto a errada. Acredite que você vai encontrar a pessoa certa e não vai doer mais amar alguém.


| 2 de agosto de 2018 |

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

MORANDO NO SUL: Como é o frio de Porto Alegre? #7

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Desde o processo de mudança para Porto Alegre, a frase que eu mais ouvi foi "você vai sofrer muito no frio de Porto Alegre", mas eu nunca dei bola, porque eu morava em São Paulo e lá eu peguei muito frio, porém quando eu falava isso, as pessoas me olhavam com deboche, com cara de quem dizia "você não sabe o que está falando, espera só pra ver"; e bom, 5 meses já se passaram, o inverno já começou e agora eu posso falar com propriedade do frio de Porto Alegre.

Porto Alegre é SIM uma cidade fria, porém, ao contrário de São Paulo, aqui a amplitude térmica é MUITO grande - amanhece 5ºC, na hora do almoço faz 12ºC, no meio da tarde faz 26ºC e à noite a temperatura cai para 7ºC, o que resulta no "efeito cebola", como eles chamam aqui; que é quando você vai tirando as várias camadas de roupa ao longo do dia, como se estivesse descascando uma cebola, daí a referência -. E o outro ponto que difere de São Paulo, é que aqui há uma "pausa" no meio do frio: faz 5 dias de frio muito intenso (5/6ºC) e 2 dias de calor (26/27ºC). É bizarro! Do mesmo jeito que do nada esfria MUITO, do nada esquenta MUITO; e isso acaba com o meu corpo, que não está acostumado com essa mudança de temperatura tão brusca.

Apesar do meu corpo sofrer bastante com essa mudança tão brusca de temperatura, eu gosto de como isso funciona, porque como o frio daqui é muito intenso, é gostoso ter uns dias de calorzinho para "me recuperar" e matar a saudade do sol.

Outra coisa bem interessante e que difere de São Paulo também, é que aqui sempre que fica frio a cidade fica encoberta por neblina, e a neblina não fica só no alto! Muitas vezes eu acho que meus olhos estão embaçando por causa do frio, mas aí eu descubro que é neblina mesmo e eu fico pensando: "que coisa louca".

Bem, então, no geral, tenho achado o frio daqui bem intenso, mas suportável. Apesar de já ter pego 3ºC, fiquei super tranquila, não passei frio, nem mal por causa do frio, as minhas roupas estão dando conta do recado.

sábado, 11 de agosto de 2018

RESENHA: Eu fui a espiã que amou o comandante, de Marita Lorenz

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Desde que descobri a existência desse livro fiquei namorando-o, desejando compra-lo, mas por falta de tempo e por não gostar de comprar coisas pela internet, fui adiando essa compra. Adiei por mais de 1 ano, até um dia acordar determinada e decidir compra-lo - e que boa compra!

Eu achei o livro realmente muito bom, com uma escrita muito clara e objetiva que, ao contrário de muitos livros "documentários", não é cansativo de ler, pelo contrário, é envolvente; porém, fui pega de surpresa quando percebi que o livro se tratava de uma biografia completa da vida de Marita Lorenz, a alemanita de Fidel Castro, a sua amante, a mulher recrutada pelo FBI e treinada pela CIA para matar Fidel Castro - não o fez, por ser apaixonada por ele.


Eu tinha a imagem errada do livro, achava que ele falava exclusiva e detalhadamente do seu relacionamento com o líder cubano (o título do livro ajuda a dar essa ideia), mas não, fala sobre toda a vida de Marita Lorenz, desde o seu nascimento até o mais perto dos dias atuais. Não que isso faça com que o livro perca qualidade, pelo contrário, o livro sobe para outro patamar, torna-se mais "intelectual", por assim dizer, justamente por não focar somente no seu relacionamento com Fidel. O livro abrange acontecimentos à nível mundial, como a ditadura de Fidel, a ditadura venezuelana, como a CIA e o FBI funcionam intimamente, o que acontece quando não se faz o que o FBI/a CIA quer, o que acontece quando se envolve com ditadores; o que me fez ter a visão "do outro lado da história", a visão na maioria das vezes não contada, já que as pessoas do outro lado (ditadores) são julgadas como pessoas sádicas, malvadas e cruéis, e não possuem a oportunidade de contar o seu lado da história.

Por ter vivido muitos acontecimentos que estudamos nas aulas de história, como a II Guerra Mundial, a Guerra Fria, a Revolução Cubana, a ditadura venezuelana, o assassinato de John F. Kennedy, Marita Lorenz conta o que vivenciou e percebemos que muito do que "sabemos" sobre esses acontecimentos é mentira. Muita coisa é inventada pelos EUA e é vendido para o resto do mundo, para que o mundo tome as atitudes que os EUA querem, e assim eles continuam a dominar o mundo (muitas vezes sem que percebamos).


Claro, que por ter tido um envolvimento amoroso e sentimental com Fidel Castro e Marcos Pérez Jiménez (ex-presidente venezuelano), a versão contata por Marita tende a ser contra os EUA e a favor dos ditadores, e justamente por isso o livro é tão interessante. Podemos ouvir a versão contata por pessoas contra e a favor desses ditadores, e, dessa forma, analisa-los de forma mais racional. Ambos os lados tentam nos convencer de algo (EUA: eles são vilões. MARITA: eles são pessoas boas) e cabe ao leitor, no seu conhecimento e pensamento particular, decidir o que ele pensa.

Em termos gerais, acho que o único ponto que faltou no livro, na minha opinião, foi mais detalhes da relação com Fidel Castro. Apesar de bem detalhado, são apenas 2 capítulos inteiros falados da relação com Fidel. Ao longo do livro, esse tópico é retomado por causa de outros acontecimentos, mas só por causa desses acontecimentos que ele é retomado, senão seria esquecido. Então, por isso, acho que o livro ficou devendo um pouco nesse quesito - até porque foi por esse motivo que comprei esse livro, porque eu queria saber mais a fundo da história de amor de Marita Lorenz e Fidel Castro.


Depois de terminar de ler o livro, tive um momento de introspeção, eu queria digerir tudo o que tinha lido e fiquei me questionando o porquê de absolutamente TUDO na vida de Marita dar errado. Sou espirita e pretendo ter uma discussão com a minha família sobre isso, na visão espírita. Essa mulher sofreu demais, TUDO na vida dela dá errado, ela viveu coisas muitas vezes difíceis de acreditar que aconteceram, de tão absurdas, ela não teve um momento de sossego em toda a vida.

Recomendo muito a leitura desse livro se:
- você quer saber mais sobre Fidel Castro
- você quer saber mais sobre a sujeira que é o FBI e a CIA (como recrutam, como funcionam as operações, o que eles fazem caso você não cumpra com o que foi designado a você fazer)
- você quer saber mais sobre como, de fato, vivem mulheres que se envolvem com ditadores, sem romantizações
- você gosta de ler livros com pano de fundo histórico
- você gosta de ler livros documentário
- ou se você só gosta de ler mesmo


Nota geral 5/5.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Existe o amor DA sua vida e o amor PARA a sua vida

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"Existe o amor da sua vida e o amor para a sua vida. O amor da sua vida será seu ponto franco durante muito tempo, mas nada dará certo entre os dois; enquanto que o amor para a sua vida é o que dará certo.

Vivemos muitos amores, mas só dois marcam a gente: o que dá certo e o que a gente QUERIA que desse certo."

Eu acredito em destino, acredito que se duas pessoas estão destinadas a ficar juntas, elas ficarão, independente das circunstâncias e do tempo que isso leve para isso acontecer, porém também acredito que o destino que pode mudar no meio do caminho. Acredito que algumas pessoas nasceram para se apaixonar, mas não, para ficar juntas.

No final das contas, temo que sejamos esse casal.


| 2 de agosto de 2018 |

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Significado de cada elemento da bandeira do Brasil

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Esse post é só uma curiosidade: você sabe o que significa cada elemento da bandeira do Brasil? Sim? Não? Pois bem, agora saberá!

Criado por Raimundo Teixeira Mendes, com a colaboração de Miguel Lemos, Manuel Pereira Reis e Décio Villares, em 19 de novembro de 1889 o Brasil aderiu oficialmente a bandeira que conhecemos como a bandeira oficial do Brasil, substituindo a bandeira do Império do Brasil.

Reprodução/Google
O verde da bandeira representa as matas e a fauna do Brasil. O amarelo, representa o ouro. O azul, as bacias hidrográficas. As estrelas, cada estado do Brasil (incluindo o Distrito Federal). O logo "Ordem e Progresso" foi inspirado no lema de Auguste Comte: "Amor por princípio, Ordem por base e Progresso por fim".

Reprodução/Unipacs
Mapa dos estados agrupados segundo suas representações em constelações da bandeira 

CURIOSIDADE:
A polêmica envolta da confecção da bandeira

Desde sua adoção pelo governo provisório em 1889, a então nova bandeira do Brasil recebeu críticas e suscitou polêmicas na imprensa diária, em livros e na tribuna parlamentar, seja por sua estética, seja por sua dificuldade de reprodução fiel. Outro ponto polêmico é o lema "Ordem e Progresso", assumidamente inspirado no positivismo*, que chegou a ser retirado da bandeira em outras sugestões de bandeira oficial; porém, todas foram negadas.

Segundo José Feliciano, que defende os dizeres, o lema simboliza os elementos dominantes na ocasião da proclamação da República, isto é, o positivismo. No entanto, o lema acabou por desagradar vários brasileiros, levando, até mesmo, ao uso de outras bandeiras que não a oficial durante os primeiros anos da República.



*Positivismo: defende a ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro. De acordo com os positivistas, somente pode-se afirmar que uma teoria é correta se ela foi comportada através de métodos científicos válidos. Os positivistas não consideram os conhecimentos ligados às crenças, superstições ou qualquer outro que não possa ser comprovado cientificamente. Para eles, o progresso da humanidade depende exclusivamente dos avanços científicos.

domingo, 5 de agosto de 2018

#DiárioDaFaculdade: ASK ARQUITETURA: Tem que saber desenhar para fazer arquitetura? Tem muito cálculo? Qual a diferença entre arquiteto e engenheiro civil? #28

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Semana passada, as minhas aulas do 2º semestre na faculdade começaram e agora eu sinto que posso falar com mais propriedade da faculdade, e até mesmo responder as principais perguntas que as pessoas fazem acerca da faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

Antes de tudo, eu queria deixar claro que estou respondendo com base na faculdade que EU estudo e com base na MINHA experiência.

Sempre que falamos do curso de arquitetura, as pessoas simplesmente esquecem do urbanismo, por achar que arquitetura é só desenhar casa, mas NÃO, arquitetura é muito mais que isso; e o urbanismo é uma parte muito importante dentro da arquitetura, eu diria até que é a parte mais importante.

Deixe-me explicar, urbanismo trabalha com a distribuição e organização da cidade, então se uma cidade sofre com problemas de congestionamentos, por exemplo, é porque a parte urbanística não foi levada em consideração na hora construir. As pessoas não podem simplesmente sair construindo sem fazer um estudo preliminar da região, porque esse estudo que vai nos dizer se aquela região é apropriada para o que se tem em mente e vai nos apontar os possíveis impactos e problemas que aquela construção pode causar naquela região.

Portanto, não desprezem o urbanismo, porque se as nossas cidades hoje em dia têm os problemas que tem, é porque o urbanismo não foi levado em conta. Talvez se ele tivesse sido levado em consideração, muitos dos problemas não existiriam - mas nem tudo está perdido. Atitudes simples, como plantar mais árvores na cidade, podem resolver (ou diminuir) os problemas nas cidades.

Agora que já defendi o urbanismo, é hora de falar de arquitetura, a irmã popular.

100% das pessoas que se interessam por arquitetura e já pensaram em fazer o curso, procuraram saber 3 coisas específicas sobre o curso de arquitetura: 1) Tem que saber desenhar para fazer arquitetura? 2) Tem muito cálculo? 3) Qual a diferença entre arquiteto e engenheiro civil?

Na internet as respostas são muito vagas e imprecisas, então, depois de procurar essas coisas na internet, acabamos ficando mais confusos que já estávamos. Pensando na dificuldade que eu tive de achar essas respostas antes de entrar no curso, responderei aqui como é DE FATO essas questões no curso de arquitetura.

Só lembrando, como falei no início do post, estou respondendo de acordo com a MINHA faculdade e a MINHA experiência. O que isso quer dizer? Quer dizer que não é verdade universal, quer dizer que na faculdade que você estuda ou quer estudar a dinâmica pode ser diferente, portanto filtrem o que vão ler para se encaixar na SUA realidade.

Bem, antes de responder as 3 principais perguntas a cerca do curso de arquitetura, uma coisa tem que ser levada em consideração: qual o foco da faculdade que você vai estudar? O foco é a parte artística, como a Belas Artes, em São Paulo, ou a parte construtiva, como a PUCRS, em Porto Alegre? Conforme o foco, a resposta das 3 perguntinhas vai mudar COMPLETAMENTE, por isso é muito importante saber o foco de onde você vai estudar (e antes de escolher a faculdade, EU acho importante VOCÊ saber para qual lado quer ir [o lado artístico ou o lado construtivo] porque isso vai influenciar diretamente na sua satisfação com o curso. Se você prefere o lado artístico e estuda em uma universidade com foco no construtivo, é quase certeza que você se frustrará, a mesma coisa se for ao contrário).

Lado artístico: desenho é a parte mais explorada e mais valorizada.
Lado construtivo: desenho é só um detalhe, você não precisa dominar as técnicas, porque o mais explorado será a parte de construções (técnicas construtivas, que aborda sustentabilidade, marcenaria inteligente, luminotécnica, e afins).

Agora que você já sabe qual o foco da sua faculdade, posso responder as perguntas.

1) Tem que saber desenhar para fazer arquitetura?
A faculdade que eu estudo tem o foco na parte construtiva, então o desenho não é a parte mais importante; porém, SIM, eu tenho que ter uma noção mediana, pelo menos, de desenho, porque o desenho é importante também, apesar de não ser o principal. Então não pense que só porque o foco da faculdade é a parte construtiva que não vai ter desenho, vai ter SIM, só não vai ser a parte mais importante - e saibam que tem gente que reprova em matérias de desenho, então não bobeiem.

Agora, se a sua faculdade for focada na parte artística, não preciso nem falar que desenho é um pré-requisito, né? Inclusive, nas faculdades com foco no lado artístico, geralmente, no vestibular tem prova de habilidades específicas e a nota de desenho geralmente é a mais importante.


2) Tem muito cálculo?
Se o foco da sua faculdade for o lado construtivo, SIM, terá muito cálculo, porque você estudará matérias que o pessoal de engenharia civil estuda, como é o meu caso. Óbvio que a complexidade dos cálculos não se compara, engenharia civil é muito mais complicado, porque aprofunda muito mais nos cálculos - e tem que ser assim, porque quem faz cálculo em obra é engenheiro civil, não arquiteto  -, mas não é nada impossível. É difícil? É. Se você tiver dificuldade com matemática vai sofrer um pouquinho, mas não é nada que dedicação e aulas de reforço não ajudem.

Agora se a sua faculdade prezar mais pelo lado artístico, saiba que ainda assim você terá cálculos, porque matemática é uma matéria obrigatória para o curso de arquitetura (assim como desenho), mas não se preocupe que serão cálculos básicos, nada muito difícil.


3) Qual a diferença entre arquiteto e engenheiro civil?
Há pessoas que dizem que a linha que separa arquiteto e engenheiro civil é muito tênue, porém eu não concordo, acho que as diferenças são bem grandes.

ARQUITETO é quem faz todos os desenhos da obra, desde a planta baixa aos móveis que ficarão dentro do edifício construído. ENGENHEIRO CIVIL é quem especifica os materiais que serão utilizados para erguer a construção e quem faz os cálculos da quantidade de materiais necessários. A escolha dos revestimentos é designação do ARQUITETO.

O ENGENHEIRO CIVIL também pode fazer a planta baixa, mas em hipótese alguma pode fazer a fachada. Ainda assim, há engenheiros que fazem a fachada e é bem fácil saber quando foi um arquiteto e quando foi um engenheiro civil que fez a fachada. O arquiteto é mais criativo, enquanto que o engenheiro é mais racional, então as fachadas deles são sempre mais quadradas e menos elaboradas.

O ARQUITETO pode construir casas, barracões, prédios residenciais e prédios comerciais, enquanto que o ENGENHEIRO CIVIL pode construir casas, barracões, prédios residenciais, prédios comerciais, pontes, ruas, avenidas e estradas. Basicamente, a diferença é que o ARQUITETO é limitado a construir casas e prédios, enquanto que o ENGENHEIRO pode construir coisas além.

Em questão de salário, acho meio complicado falar quem ganha mais, porque depende de muitas variáveis, como onde você trabalha, sua especialidade, tempo de carreira, experiência, currículo, quantas obras por mês pega, importância da obra, quem é o cliente e até mesmo a cidade que você trabalha. Se você é uma pessoa conhecida no ramo também influencia muito, então é bem complicado dizer quem ganha mais.

É isso. Espero ter sanado a dúvida de vocês. Qualquer nova dúvida, só deixar nos comentários que respondo com o maior prazer!