segunda-feira, 6 de abril de 2015

A conselheira de drogas - Capítulo Um

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HARRY P.O.V


     —Tem certeza de que é isso que vocês querem? –perguntei seco. Meu pai, Charles, e minha avó, Elizabeth, assentiram sem tirar os olhos de mim —Como vocês –disse levantando do sofá —Mostraram que minha opinião não vale nada –direcionei meu olhar a meu pai —Espero que tenham uma morte longa e dolorosa –falei e antes que pudesse virar-me para trás, para sair do cômodo, meu pai (se é que posso chama-lo assim), repreendeu-me.
     —Olha como você fala, mocinho! Nós não temos culpa se você se descontrolou. Você passou de todos os limites e a culpa é sua! Portanto, seja homem o suficiente para assumir sua culpa e não descontar nos outros! –ele terminou seu exemplar discurso. Aplaudi em pé, sorrindo debochado.
     —Que lindo o seu discurso –falei parando de aplaudir e rindo debochado —Pena que não tem valor nenhum –desfiz o sorriso e comecei a andar pelo cômodo, passando a mão nos arredores de minha boca até chegar a altura do queixo. Parei de andar quando meu pai começou outro de seu sermão.
     —Agora já chega! –ele falou levantado da cadeira. Ele já estava bem exaltado. —Você cala a boca –ele apontou para mim, de frente para a média porta de madeira branca, onde encontrava-se parado. Ri. Como se tivesse escolha —E você vem comigo –segui seu dedo até chegar em William, meu irmão, que até agora não tinha pronunciado uma palavra. Quase nem tinha notado sua presença. Willy, parece mais um dos criados. Obedece tudo e a todos, sem descordar de nenhuma das ordens recebidas. Babaca. Não sei como arranjou a gostosa da Kate.
     —Aonde vão? –perguntei assustado. 

     Os dois haviam acabado de abrir a porta e já iam sair, quando parei-os com minha pergunta. 
     Da última vez que isso aconteceu, eles me levaram a forca para visitar meus amigos de longa data na rehab (ou reabilitação). 
     Meu olhar entregava meu desespero. 
     Willy olhou pro meu pai, que simplesmente virou seu rosto e saiu do cômodo, seguido por William. Olhei para dona Elizabeth 

     —Onde eles estão indo? –perguntei, obviamente, desesperado. Vovó Elizabeth apenas abaixou a cabeça. 

     Continuei no meu canto, esperando pelo pior. 
     Faltava pouco para eu chorar, para que eu vivesse todo aquele inferno de novo. 
     Alguns minutos depois, Willy, o baleio e meu pai voltaram ao cômodo, para a minha surpresa, sem nenhum armário para me obrigar a colocar a camisa de força. 
     Quando ia mudar a direção do meu olhar, vi uma garota sair de trás de Willy. 
     Tudo aconteceu em câmera lenta.

     —Essa é sua majestade Elle Fanning –meu pai disse mostrando a garota bem branquinha, dos cabelos louros e bochechas rosadas, ao seu lado —Ela é a princesa Astúrias, herdeira da Espanha. Ela veio para Londres para fazer faculdade E –como ele enfatizou o “e”, esperei pela bomba —Ser sua conselheira contra drogas –franzi minha testa e olhei bem para meu pai e Willy. Eles estavam falando sério. Bufei —De hoje em diante, você andará com sua majestade para todos os lugares, goste ou não –ele foi mais duro na última parte da frase.
     —E quando eu precisar ir ao banheiro? –minha pergunta não foi bem aceita, já que tive que vê-lo me fuzilar com os olhos e ouvir sua dura resposta.
     —Eu não estou brincando! –ele gritou irritado.
     —Charles! –vovó interferiu. Ele balançou a cabeça e virou-se para a “princesa Astúrias”, imitei meu pai mentalmente e revirei os olhos.
     —Desculpa, milade –papai disse à ela, que respondeu com um sorriso sereno —Agora se me dão licença –papai fez uma reverencia com a cabeça e saiu do cômodo, seguido de alguns seguranças.
     —Se me dão licença, vou indo também –Willy disse olhando a vovó —Foi um prazer enorme conhece-la –ele fez reverencia à garota, que também respondeu com uma reverencia. Revirei os olhos. Willy, o baleio sorriu e saiu da sala, seguido por mais alguns seguranças. Vovó finalmente se mostrou presente e levantou-se da cadeira, caminhando até onde a garota estava: próximo a porta, na minha linha reta.
     —Milade –vovó referenciou ao mesmo tempo que a garota, que soltou um riso, mas logo se conteve.
     —A senhora pode me chamar de Elle –a garota disse com um sorriso no rosto. Vovó sorriu de volta.
     —Será um prazer ter a senhorita hospedada em minha casa –vovó disse segurando o braço dela. 

     Elas conversavam como se estivessem sozinhas e não cercadas por algumas dezenas de seguranças e pelo elegantíssimo príncipe de Gales, eu. 
     Toda aquela conversa estava me irritando. Estar nesse cômodo está me irritando. Ver aquela garota sorrindo me irrita. Tudo me irrita. 
     Grunhi.
     Vovó olhou para mim e entendeu que era um recado para ela me deixar a sós com a garota, já que rapidamente se despediu da mesma e levou todos os seguranças que restavam, com ela. 
     As novas ordens eram que eu tivesse mais privacidade, sendo assim, não precisaria ficar andando com um turbilhão e meio de seguranças por minha volta.
     Assim que a sala se esvaziou completamente, restando apenas nos dois, e a porta foi fechada, depositei meu olhar sobre ela.

(***)


ELLE P.O.V

     —Por hoje é só, querida. Tenho certeza que você está bem cansada –dona Elizabeth disse levantando da cama que estava deitada —Boa noite –ela disse dando um beijo em minha testa.
     —Boa noite e obrigada –sussurrei baixinho e aos poucos fui fechando os olhos, fechando a tempo de ver rainha Elizabeth se afastar e apagar as lâmpadas.


Dia seguinte...
 
     —Bom dia –disse aparecendo na sala de jantar, onde Charles, William e rainha Elizabeth estavam sentados.

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