terça-feira, 7 de abril de 2015

Chiang Xo aula de dança - Capítulo Um

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ZAYN P.O.V

     Dirigi-me até minha BMW X6 preta e entrei no mesmo. Coloquei o cinto de segurança, a chave na ignição e liguei o carro. Dei partida e sai do estacionamento da empresa.


—Ok, pai, ok –disse colocando a mão em minha testa e apoiando meu cotovelo na mesa —Meu casamento com a Marilhéa já está encaminhado. É só questão de tempo para eu estar casado, velho –falei soltando uma risada e me jogando para trás na cadeira. A ligação estava no viva-voz —Mais alguma coisa, Yaser Malik? –perguntei ainda risonho.
     —Não, Zayn Malik –ele entrou na brincadeira —Pode ir se matricular logo na aula de dança –ele falou e não soou tão legal como ele esperava —Isso não soou legal –ele falou. Aposto que fez careta. Inclinei-me pra frente na mesa.
     —Não mesmo –apertei o botão encerrando a chamada. 

     Fiquei uns segundos olhando o nada até criar coragem e levantar da cadeira.
     Levantei com a chave do carro na mão e caminhei, a passos largos, até a porta de madeira. Puxei-a pela maçaneta e sai de minha sala. Caminhei até o final do corredor onde cumprimentei Judith, a velha secretária.
     Judith é como uma relíquia aqui no Malik associação, está desde que fundamos a empresa. Boa, sábia, educada e no seu canto. Não fazem mais secretárias como antigamente.
     O elevador estava no andar, então só adentrei no mesmo, sem ter que chamá-lo. Térreo era o meu destino.
     Cloc-cloc fazia o barulho do relógio do elevador. Ri pensando que se fosse em qualquer outro dia eu me irritaria com o barulho do relógio. Mas hoje não. Eu me sentia leve, relaxado e até... Feliz.
     O elevador parou suavemente no subsolo 1 e desci do elevador. Caminhei até minha BMW X6 preta, destravei-a e entrei. Coloquei o cinto de segurança, a chave na ignição e liguei o carro.
     Consultei o endereço em meu gps e assim segui, parando umas 2 vezes para me localizar.
     Londres estava ensolarada, o que é um verdadeiro milagre, já que de 365 dias, 364 estão chovendo. Ok, exagerei um pouco, mas é quase isso.
     Parei o carro em frente à um imóvel com 30 centímetros, contando do chão pra cima, de muro e o resto vidro (isso inclui a porta, se só tinha o redor de madeira), com um enorme cartaz escrito: "Chiang Xo aula de dança". Em baixo, com letras um pouco menores, estava escrito: "faça sua matrícula essa semana e ganhe 20% de desconto na segunda mensalidade. Aulas dadas por Chiara Ferragni." 
     Estamos em março e para conseguir lugares que ainda aceitam matrículas é praticamente impossível por já ter começado o semestre, então ou eu estou com muita sorte ou eles estão realmente desesperados por alunos.
     Desliguei o carro e decidi entrar para ver o que me esperava.
     Logo que entrei vi que estava em uma espécie de sala de espera. Havia um banco de madeira enorme que se prolongava por toda a sala de espera (era um banco, encostado na parede, que só acabava quando chegava na mesma reta do outro lado da sala. Ele fazia "curva" no encontro das paredes). Haviam algumas mulheres/senhoras sentadas no banco, que na hora que me viram, pararam de falar e me olharam. Eu estava sério, como sempre estou. Fiquei com um pé atrás, mas segui meu instinto e passei pelo buraco que deveria ter uma porta e já dei de cara com a sala onde ensinam balé, mas não havia ninguém.


                                ***


    O gps indicava o caminho que devia seguir. O trânsito estava difícil. A chuva ameaçava a cair. 


—Será que você pode me dar uma informação? –perguntei e meu tom saiu ríspido. Merda, não era para sair assim. Fechei os olhos forte —Desculpa, não era para ter soado rude –desculpei-me e abri os olhos. 
     —Pode falar comigo mesmo –ela falou doce, ignorando meu pedido de desculpa.
     —É sobre matrícula –falei.
     —E seria pra que? Balé, jazz, dança de rua?
     —Valsa –respondi.


                                ***


—Desculpa, nem me apresentei. Sou Zayn. Zayn Malik –falei esticando a mão para ela.
     —E eu sou Chiara Ferragni. Prazer –ela falou apertando minha mão.


                                ***


—O escritório está em reforma, na verdade, a academia está em reforma –ela falou ao perceber que observava o ambiente —Aos poucos –ela falou bruscamente e alto, mas percebeu —Por isso –ela já falou normal —Que estamos usando esse cômodo como escritório –ela falou e continuei em silêncio —Posso começar as perguntas? –ela falou e assenti sem saber de que perguntas ela estava falando —Você disse que quer fazer aula de valsa, certo? –ela perguntou e assenti —Temos três planos disponíveis –ela falou pegando um papel e colocando sobre a mesa. Assenti —O primeiro plano é o "plus" –ela apontou com a caneta no papel —Nesse plano você faz aulas individuais, só você e a professora, nada de colegas, e o plano funciona de acordo com a sua disponibilidade. Por exemplo, hoje você tem 2 horas livres e quer usar as duas para a aula hoje, você avisa a professora e vocês farão a aula em cima dessas duas horas –ela falava me olhando —Mas se você só puder de novo daqui 2 semanas e mesmo assim for só meia hora, você avisa: "Chiara estou muito ocupado, só vou poder ir à aula daqui duas semanas e por trinta minutos", ok, a aula será daqui duas semanas durante trinta minutos. Mas para você não perder a prática do que você aprendeu, recomendamos que treine vinte minutinhos todos os dias –ela terminou de falar e continuou me olhando.
     —Ok, gostei desse plano. Pode fechar, vou ficar com ele –falei.
     —Mas o senhor não quer nem olhar os outros planos e o preço? –não consegui decifrar o seu olhar.
     —Tudo bem, quantos fica esse plano? –perguntei e ela esticou o braço pegando uma calculadora na mesa.
     —O valor varia de acordo com quantas aulas e horas você fizer. Por exemplo –ela ligou a calculadora —Se o senhor fizer 10 aulas de 1 hora cada em 1 mês –ela falou fazendo os cálculos na calculadora —Você pagará 1.000£ (libras) –ela falou me olhando —Só que o senhor tem 20% de desconto na segunda aula, então pagará –ela fez o novo cálculo —980£ –ela me olhou —Mas se o senhor estiver achando muito caro –ela falou ficando nervosa e fazendo um novo cálculo.
     —Eu vou ficar com esse mesmo –falei e ela parou de fazer o cálculo e me olhou.
     —Ok –ela falou meio indecisa. Parecia ter medo de mim, o que me arrancou um sorriso —Então eu vou precisar –ela falou abrindo a gaveta da mesa e pegando um papel —De algumas informações sobre o senhor –ela falou escrevendo algo no papel —Para sua matrícula –ela parou de escrever e me olhou. Assenti —Qual o seu nome completo? –ela perguntou segurando a caneta, há posicionada para escrever.
     —Zayn Javadd Malik.
     —Idade.
     —31 anos.
     —Data de nascimento.
     —12 de janeiro de 1984.
     —CPF.
     —001521751-47.
     —Profissão.
     —Publicitário.
     —Já fez alguma cirurgia? Se sim, onde.
     —Não, nenhuma.
     —Alergia?
     —A desinfetante.
     —Caso aconteça alguma coisa ou o senhor marque aula e não aparecer, para quem devo ligar? Nome e telefone, por favor.
     —Pode ser lá no escritório. O número é 2143-512.
     —Falo com quem?
     —Judith.
     —Ela é o que sua?
     —Secretária.
     —Tipo sanguíneo –ela falou e franzi o cenho. No que isso é relevante?
     —Desculpa, mas isso é realmente importante? –perguntei com o cenho franzido. Falei normal, não fui grosso ou ríspido. Ela parou de escrever e me olhou.
     —Sim, é importante porque caso aconteça algum acidente dentro do nosso estabelecimento e o senhor precisar ir ao hospital, uma das coisas que eles vão perguntar é o seu tipo sanguíneo –ela falou calmamente.
     —Am... Acho que meu tipo sanguíneo é O+ –ela levantou o olhar pra mim e continuei a falar antes dela —Mas confirmo para a senhorita –ela forçou um sorriso.
     —Endereço de sua residência.
     —Kensington Palace Gardens, número 1000 –ela terminou de escrever no papel, desapoiou do mesmo e ficou encarando o papel. Aposto que conferia para ver se não esqueceu de nada.
     —Bom, acho que já preenchi tudo.


                                ***


     Parei o carro suavemente na faixa exclusiva para estacionar carros, em frente da onde deveria ser a academia. Ainda sem desligar o carro e tirar o cinto de segurança, estiquei-me para frente, procurando pelo cartaz com as inscrições: “Chiang Xo aula de dança”, mas o que meus olhos acharam foi o nome dela, Chiara Ferragni.
     Desliguei o carro, tirei o cinto de segurança e desci do carro. Adentrei na academia e caminhei até a sala de balé que tinha conhecido no dia anterior.

     —Oi –falei me aproximando da garota que tinha me atendido ontem.
     —Veio pra aula de valsa, certo?


CHIARA P.O.V

     —Veio pra aula de valsa, certo? –perguntei apontando para ele, que assentiu —A aula vai ser comigo mesmo e será nessa sala –falei apontando para trás. Ele observou com os olhos —Pode ir se trocando que eu já venho –falei e deixei-o sozinho na sala.

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