sábado, 18 de abril de 2015

O prometido - Capítulo Um

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—Eu sei que você será uma boa garota –papai falou segurando meu rosto e olhando em meus olhos.

     Lembrava, aflita, de suas palavras. Meu estômago já estava embrulhado por causa do nervosismo.

     —Chegamos –o homem que estava nos levando à nossos prometidos disse depois de parar o carro.


JUSTIN P.O.V

     Estacionei o carro em uma vaga de frente a Mesquista, lugar onde seria realizada a cerimônia. Avisei às mulheres que "carregava" que havíamos chegado, desci do carro e abri a porta da van para que elas pudessem descer. Uma a uma, cada uma delas desceu. Eram dezesseis. 
     Fechei à porta da van e caminhei com elas até a porta da mesquita. Deixamos nossos sapatos na porta, como diz as regras para entrar na mesquita, e já pudemos ver os prometidos. 
     Entramos e fizemos as devidas "devoções".
     De cabeça baixa, enfileiradas em fila indiana, elas se aproximaram dos pretendentes e pararam de frente para eles, uma ao lado da outra. Tomei frente.

     —Sou Justin Bieber e sou eu o responsável por entregar as moças a vocês –falei olhando os pretendentes. 

     Parei para observá-los. Eram um pior que o outro, nojentos, da aparência suja, barba sem fazer, mal cuidados, radicais até o último fio da barba nojenta deles.
     Olhei as moças. Tão jovens, bem cuidadas, sem voz perante os homens, ingênuas, mal sabiam o que esses nojentos fariam com elas. 
     Sinto repulsa à esses homens, mas é a tradição deles, é o modo que vivem e acham ser o correto.
     Balancei a cabeça e peguei o papel com os nomes das moças, no bolso da calça.

     —Vou falar o nome das moças –falei olhando os homens —E vocês –virei-me para as moças —Vão dirigir-se ao seus respectivos prometidos, que darão um passo à frente quando eu falar seus nomes –continuei olhando as moças, que mantinham o olhar baixo. Uma delas, que aparentava ter uns 14 anos, assentiu. Ela ainda é uma criança! Esse tipo de coisa que me deixa revoltado. Balancei a cabeça e voltei o olhar ao papel —Aisha Karim –a moça pareceu levar um susto —E Naíma Elzira –as duas deram um passo à frente —Senhor Mohammed Mustafa –ele deu um passo à frente. Ele parecia com Osaba Bin Laden. As moças andaram até ele —Jamile Farah –dessa vez decidi não olhar as reações das moças e dos homens —Ao senhor Said Osman. Nair Amira, Rozala Sucena e Abdera Zinara, senhor Youssef Lair. Hani Maala, senhor Jamal Rachid –uma a uma, cada uma delas ia indo para o lado deles, deixando o lado das moças cada vez mais vazio —Khadija Amina, ao senhor Khalil Alaor. Ranya Quirá, Ibrahim Fauzi –restavam mais sete moças —Zahara Alita e Xerazade Hamed, senhor Omar Ali –cinco —Adail Najila, senhor Amin Zayn –quatro —Noa Anis, Zaide Tersa e Aliaá Farida, senhor Samir Farouk –agora a última —Zaida Aiça, ao senhor Salim Aziz –terminei de ler os nomes no papel e levantei minha cabeça, pronto para já ir embora, porque agora que estão com seus prometidos, é "cada um por si".

     Mas ao contrário do que jamais imaginara, restava uma moça, com suas vestes toda branca, que não havia saído do lugar, não havia ido até seu prometido. Todos que ali estavam, olhavam-a. Ela tinha o olhar baixo e estava encolhida. Eu não sabia o que fazer.
     Cautelosamente aproximei-me dela, mantendo bons metros de distância, como manda a tradição. Ela levantou o olhar e olhou nos meus olhos. Seus olhos declaravam medo.

     —Qual o seu nome? –perguntei à ela.
     —Troian Bellisario, senhor –ela respondeu.
     —Porque você não está com o seu prometido? –perguntei em um tom de voz que só nós dois pudéssemos ouvir.
     —O senhor não me chamou, senhor –ela respondeu no mesmo tom, olhando-me, mas logo em seguida abaixando o olhar com pressa —Desculpa olhar-te, senhor. Dou a honra de minha família que isso não acontecerá de novo, senhor. Se o senhor quiser me castigar, entenderei perfeitamente –ela sussurrou a última parte.
     —Você disse que não te chamei –retomei o que ela disse, ainda falando em um tom de voz que só nós dois escutássemos.
     —Algum problema? –uma voz extremamente estúpida interrompeu-me. Virei-me para trás, procurando pelo dono da voz.
     —Nenhum, estou apenas resolvendo uns coisa –falei ainda sem saber quem havia falado aquilo e voltei meu corpo e olhar para a garota, que mantinha a cabeça baixa —Como não te chamei? –perguntei baixinho à ela. Ela não se manifestou. Peguei o papel com os nomes, que tinha dobrado e colocado no bolso, e procurei por seu nome —Troian, Troian, Troian –falei procurando seu nome e nada. Meu corpo pesou —Seu nome não está aqui –sussurrei encarando o papel em minhas mãos.
     —Será que podemos ir? –a voz estúpida falou atrás de mim, colocando sua mão em meu ombro.
     —Pode, caralho! –gritei virando pra trás. O árabe fechou a cara e percebi que havia feito besteira —"Caralho" na minha cidade significa "senhor", "mestre", alguém que está acima de você –tentei enrolar o árabe e ele pareceu engolir.

     Virei-me para a garota, sem saber o que fazer. Os árabes já tinham ido embora com as garotas.

     —Vou ter que te levar na embaixada árabe para entrar em contato com seus pais –falei para ela, que se encolheu ainda mais.

                              ( ~ )

     —Você pode esperar lá fora –falei à garota muçulmana que me acompanhava na embaixada árabe. De cabeça baixa, ela saiu da sala.
     —Justin –Scooter disse chamando minha atenção. Virei-me para trás, ficando de frente pra ele.
     —Descobriu por que o nome dela não está na lista? –perguntei olhando-o. Sua expressão era de que estávamos ferrados.
     —O noivo dela desistiu do casamento por achar que não valia a pena. Segundo ele, sairia no prejuízo se casasse com ela, já que desperdiçaria uma de cinco mulheres, que ele pode ter, com ela –fiquei em choque. 

     Como não fiquei sabendo disso antes? Puta merda, e a família dela?! Engoli seco. 

     —Ainda não foi a pior parte –Scooter falou chamando minha atenção novamente. Puta que pariu, como assim não foi a pior parte ainda? —Entrei em contato com a família dela e eles não vão aceitá-la de volta –sentei na cadeira de frente para o Scooter, que estava jogado na cadeira com a mão direita em sua testa.
     —E agora? –perguntei nervoso com a situação.
     —Justin –Scooter falou inclinando seu corpo para frente na mesa e fazendo um triângulo com as mãos —Ela vai ter que ficar na sua casa –

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