terça-feira, 7 de abril de 2015

Vítima do meu assalto - Capítulo Um

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JUSTIN P.O.V

    —Parado, isso é um assalto –falo bruscamente apontando a arma para eles. O casal de namorados se assusta, a garota principalmente. Os outros caras os cercam. Ele, que estava de mãos dadas com a garota, passa seu braço desocupado ao redor dela, protegendo-a. Ele olha para trás e para os lados, vagarosamente, como se procurasse por um lugar que pudesse fugir. Estavam cercados por 5 caras, não rolaria um fuga.
    —Por favor, não reage –ela cochicha, com a voz trêmula, para ele. Parecia que se eu desse um passo para frente, choraria.
    —Vão passando todo o dinheiro, os celulares, não, melhor passem a carteira e desativem o gps do celular agora –dei as ordens e assim eles o fizeram —Não quero nenhuma gracinha –mantive o tom de voz firme —Agora deitem no chão e contem até 100. Qualquer gracinha que fizer, vamos atrás de vocês, Lindsay Ellingson e Zayn Malik, e ah, nada de polícia –dei meu recado e eles deitaram no chão. Começaram a contar em voz alta e eu e os caras desaparecemos.


LINDSAY P.O.V

    —Deixe-me recapitular –o delegado falou —Vocês estavam saindo do restaurante quando foram abordados na rua por 5 assaltantes. Só um, o que vocês acreditam que é o líder, falou. Ele estava forçando sua voz para ser diferente da verdadeira, mas vocês perceberam que era uma voz rouca e era um homem, que os ameaçou para não contar para a polícia –assentimos positivamente —O que mais falaram? –ele perguntou preparando para escrever no bloco de notas.
    —Eles nos mandaram entregar os celulares –Zayn falou.
    —É –concordei —E a desligar o gps –lembrei. Zayn balançou a cabeça e o delegado anotou no bloco de notas.
    —Mais alguma pista sobre os assaltantes? Cor da pele, dos olhos, rosto? Alguma coisa? –ele perguntou fazendo um movimento com a mão que segurava a caneta. Negamos.
    —Estava muito escuro e eles estavam com máscaras, não tinha como ver –falei e ele voltou a anotar no bloco de notas.
    —Altura?
    —O que estava na nossa frente, o líder, era mais alto que eu –falei e Zayn ficou pensativo.
    —Eu não lembro –nossos olhares se voltaram para ele —No momento o nervosismo era tanto que nem reparei nisso –Zayn falou e o delegado sussurrou algo como “compreendo” —Mas… –Zayn tornou a falar atraindo a atenção do delegado. Zayn olhava um ponto fixo no nada —Eu lembro que ele usava uma blusa bege que chegava até o joelho dele, um pouco acima, e uma calça de couro preta, caída –o delegado olhava Zayn apreensivo, como se soubesse o que ele ia falar.
    —Alguma pista do sapato? –Zayn parou de olhar o nada e olhou o delegado —Tênis vermelho? Para ser mais específico, Supra vermelhas? –o delegado, que estava sentado na ponta mesa, esticou-se na mesa e pegou um dos muitos papéis que estavam espalhados por sua mesa —Esse sapato? –ele entregou o papel para o Zayn e observamos a foto, provavelmente retirada da internet. Zayn balançou a cabeça.
    —Eu não lembro... –o detetive fechou o bloco de notas e deixou sobre a mesa —Estava muito escuro –ele esticou o braço e entregou o papel de volta ao detetive, que ficou com o papel na mão.
    —Recebemos outras 3 denúncias de assalto entre às 21h e 02h, todas alegam a mesma coisa que vocês. Cinco pessoas, que aparecem de repente. O líder, em todas as queixas, usa calça lá embaixo e blusa mais ou menos na altura do joelho. Tudo leva a crer que é um bandido que procuramos há um pouco mais de 2 anos. Tudo que sabemos sobre ele é que seus roubos até agora foram perfeitos, sem nenhum tropeção, nunca deixou um rastro e isso torna tudo mais difícil. O batizamos de "B"... Vocês já estão liberados –o delegado falou e levantamos das cadeiras.
    —Obrigada, pai –falei abraçando-o. Ele retribuiu.
    —Obrigada, senhor –Zayn apertou a mão do delegado vulgo seu sogro.
    —Vão direto para casa e não se preocupem, a polícia estará de olho em vocês.


JUSTIN P.O.V

    —Você não acha que pegamos pesado hoje? –perguntei ao Ryan, que estava sentado no sofá com uma cerveja na mão, assistindo televisão.
    —Não –Ryan falou dando um gole em sua bebida.
    —Aquela garota quase chorou –falei olhando-o.
    —Ah, qual é, vai falar que ficou com pena? –Ryan caçoou.
    —Não, claro que não –respondi olhando o nada —Quer saber –disse levantando do sofá —Vou vê-la –falei decididamente. Ryan engasgou com a bebida.
    —Você o que? –ele perguntou querendo acreditar que tinha ouvido errado.
    —Vou vê-la –falei como se ele fosse um retardado.
    —Ah, e você vai chegar e falar: “oi, eu que te assaltei hoje. Queria saber se você está bem”? –Ryan falou sério.
    —Não, né…
    —Então como você vai vê-la? –ele perguntou.
    —Dou meu jeito –respondi com um sorriso tímido.
    —Só não esquece que ela é filha do delegado, aquele que é louco para te prender –Ryan avisou.


LINDSAY P.O.V

    —Boa noite, amor –Zayn falou, me deu um beijo e ficou me olhando —Eu te amo, tá? Desculpa não conseguir te proteger hoje –ele falou cabisbaixo. Apertei nossas mãos que estavam dadas e levei até minha boca, beijando-as.
    —A culpa não foi sua –ele continuava cabisbaixo. Abracei-o —Eu te amo, meu amor –dei um beijo em sua bochecha e assim nos despedimos.

    Subi para o meu quarto e sentei meio deitada na cama. Fiquei pensando no meu dia, no assalto. Como as pessoas conseguem ser tão cruéis assim? O que será que se passa na cabeça de um bandido? Perguntas começaram a encher minha cabeça e acabei pegando um sono.
    Acordei assustada com um barulho e vi a cortina da sacada, que estava aberta (como, se eu fechei?), mexendo. “É só o vento”, pensei, mas vi uma sombra.
    Sem fazer movimentos bruscos, abri a única gaveta do meu criado mudo e peguei um alicate de unha que ali estava.

    —Quem está aí? –perguntei com a ponta do alicate mirado para a frente. Ninguém respondeu —Ande, eu sei que está aí –falei mais confiante. Um cara de uns 19 anos saiu da minha cortina. Magrinho, porém gostoso, loirinho, braços cheio de tatuagens e um olhar calmo —Quem é você? –perguntei ainda com o alicate mirado para ele. Continuei sentada na minha cama, nem me atrevi a levantar.
    —Eu sou Justin Bieber –ele respondeu normal.
    —O que você está fazendo aqui? –perguntei.
    —Você podia baixar esse alicate, para a conversa ficar menos ameaçadora –ele falou na maior cara de pau. O pior é que ele não falava debochando, falava sério, como se fosse o certo e estivesse sendo injustiçado.
    —A partir do momento que você sai da minha cortina, a conversa tem que ser ameaçadora –respondi ríspida.
    —Você não acha que se eu quisesse te machucar já não teria feito alguma coisa? –ele contra-argumentou.
    —Anda, responde, o que você está fazendo aqui? –rugi.
    —Eu vim te ver –ele falou tentando chegar mais perto, porém ameacei-o com meu alicate de unha. Ele parou aonde estava —Não precisa ter medo de mim –ele falou mostrando suas mãos vazias, como se dissesse que não faria nada comigo. Ele deu mais um passo para frente.
    —Se você der mais um passo, eu grito –ameacei segurando ainda mais forte o alicate de unha mirado na direção dele.
    —Não precisa, você não precisa gritar. Isso é apenas um sonho, apenas um sonho –ele falou calmo. A sua calma me irritava. “Isso é um sonho?”, perguntei mentalmente —Apenas feche os olhos e relaxe.


JUSTIN P.O.V

    —Isso é apenas um sonho, apenas um sonho –falei tentando ficar calmo —Apenas feche os olhos e relaxe –falei rezando para que ela acreditasse e fizesse o que falei.

    E para minha graça, ela fez tudo o que falei. 
    Andei nas pontas do pé até ela, tirei o alicate de sua mão, coloquei-o na única gaveta do criado-mudo e caminhei até a porta da sacada. Antes de sair, olhei para trás e a vi dormindo novamente. “Boa noite, Lindsay” sussurrei e sai do quarto dela.


CONTINUA...

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