sábado, 7 de novembro de 2015

A pureza da visão de uma criança sobre o amor

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     Quando eu era criança, assim como em todas as etapas da minha vida, ficava me imaginando adulta, já formada, morando sozinha, ganhando meu dinheiro, e ao contrário do que 100% das pessoas idealizam, eu não me idealizava rica, morando em uma mansão, casada com um loiro de porte atlético; eu me imaginava vivendo em uma casa humilde, não tendo muito dinheiro, sendo dona de uma moto com uma espécie de carroceria (tipo a moto do Hagrid, do Harry Potter, só que com a carroceria do lado direito, e não esquerdo. Essa carroceria era para caber minhas coisas na moto, tipo compras do mercado, e meu cachorro [que não tenho, mas sempre imaginei ter]).
     Minha casa tinha 4 cômodos: 2 quartos - um pequenininho e outro maior -, uma cozinha pequena, e o maior cômodo era minha sala, onde eu emendava e fazia uma sala de jantar.
     Por que eu me imaginava assim, sendo que venho de uma família de classe média alta? Justamente por vir desse "mundo", por ver meus pais sempre trabalhando muito, sendo reféns do dinheiro. Eu queria passar mais tempo com eles [meus pais], queria realmente sentir o amor em nosso lar - acho que é tudo muito superficial. Meus pais se amam e me amam demais, isso é claro, mas às vezes isso tudo parece muito superficial -.
     É óbvio que é hipocrisia minha falar que não gosto, nunca desfrutei desse dinheiro ou ele não me proporciona coisas boas, mas eu queria ter mais momentos família, que, infelizmente até hoje, só temos em viagens ou eventos que envolvam essa sociedade.
     Eu achava que pessoas com vida humilde, por não terem muito dinheiro, eram muito mais apegadas umas às outras, se amavam muito mais, por não terem o jogo de interesses que o dinheiro e poder trazem, por não fazerem do dinheiro grande coisa, se divertindo de outras formas, de formas mais humanas.
     Sempre tive a imagem de que essas pessoas são muito mais felizes por viverem em um mundo cercado de amor verdadeiro, e não de interesse (falsos amigos, sorrisos forçados, conversas ensaiadas, pessoas hipócritas).
     O que eu realmente imaginava era que não tendo dinheiro, todos os membros da família, obrigatoriamente, seriam mais próximos, porque tudo que eles tinha era um ao outro.
     Com 7/8 anos eu já entendia que dinheiro não comprava amor, pelo contrário, afastava o amor das pessoas porque a ganância falava mais alto e as pessoas acabavam se perdendo! Sete/oito anos!!!!
     Mas aí eu cresci e me perdi nas tentações que o mundo do dinheiro nos proporciona. É claro que eu não queria ser assim, mas essa idealização de infância deixou uma verdadeira lição para minha vida.

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