domingo, 22 de maio de 2016

O amor pede passagem

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     "Amor é um sentimento nobre demais para ser pedido, cobrado ou implorado. Implore por misericórdia, se preciso, mas nunca por amor." Todos devíamos ter isso em nossas cabeças. Se o amor não existe, não adianta ficar esperando que ele apareça, não adianta pedir, não adianta cobrar, não adianta implorar... Em nome do amor, siga em frente. Ficar nas espreitas, sempre por perto, com esperanças de que algum dia o amor possa ser reciproco, só faz as coisas serem mais sofridas, e no momento que aquilo te fizer sofrer, no momento que aquilo te fizer mal, saiba que é hora de deixar para trás. Pessoa nenhuma merece o seu sofrimento.
     Por 3 anos fui apaixonada por um rapaz, um rapaz que amei em todas as fases que vi. Cada vez que eu o via, estava diferente. Um dia estava bem magro e com o cabelo preto bem evidente, outro dia estava com uns quilinhos a mais e com um pouco menos cabelo, na semana seguinte, ele já aparecia magro de novo e carequinha. Eram muitas mudanças em tão pouco tempo.
     Eu amei-o de longe, amei-o vendo suas atitudes, amei-o pelo que ouvia falar dele, amei-o por quem achei que fosse. Não éramos amigos, não conversávamos, ele mal sabia da minha existência, mas eu sabia tudo sobre ele. Quem era? O homem mais lindo que existia. Sua idade? Vinte anos. Quem eram seus pais e amigos? Meus sogros e futuros amigos. O que gostava de fazer? Assistir e jogar futebol e sair para beber. Quais locais frequentava? Bares e Sede do Mancha Verde (Torcida Organizada do Palmeiras). Era Palmeirense na veia e ia à todos os protestos contra a presidente. Tinha dois irmãos, nenhum cachorro e era muito mais que um rostinho bonito.
     Ele era o meu ponto fraco.
     Por ele, eu teria largado tudo, teria deixado meus sonhos de lado, teria ido viver a vida que ele quisesse; mas um dia, acordei e "cai na real". Por mais duro que fosse, percebi que não bastava só um querer, no caso, só eu. Se ele sentisse o mesmo, teria demonstrado um interesse mínimo, coisa que nunca fez. Eu vi as coisas com os óculos da verdade, e doeu, doeu muito.
     Nos meses seguintes, fiz o que devia ser feito, tomei um banho de amor próprio e deixei de esperar um amor que não existia. Não vou mentir, não foi nem um pouco fácil, mas por mais difícil e doloroso que foi, eu deixei-o para trás. Eu tinha que fazer isso. Eu me devia isso.
     O amor pediu passagem. Ele sabia que era um sentimento nobre demais para ser desperdiçado. Ele queria ser usado, só que dessa vez, com quem merecia.

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