domingo, 12 de junho de 2016

Aquele amor viciante que deixei para trás

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     Todos os dias milhares de pessoas se conhecem, apaixonam-se, começam a namorar, ficam noivas, casam-se e têm filhos. Todos os dias, milhares de casais são formados, brigam e se separam. Todos os dias, milhares de pessoas declaram-se para outras e juram amor eterno. Todos os dias, milhares de casais lutam para ficar juntos, enquanto, outros milhares de casais não valorizam a união que tem. Todos os dias, milhares de histórias de amor acontecem.
     Eu tive uma história de amor. Daquelas bem complicadas e viciantes. Ele estava longe de ser um príncipe, e eu, longe de ser uma princesa. Éramos gato e rato, aonde um estava, o outro estava atrás para atormentar. 
     Ele era chato, inconveniente, encrenqueiro, intrometido, idiota, possessivo, audacioso, amava me irritar e sempre tinha aquele sorriso maroto no rosto. Eu era chata, grossa, pavio curto, mandona, de personalidade forte, seca, detestava ele (e tudo relacionado à ele) e queria, do fundo do meu coração, que ele explodisse. Uma bela combinação, não? 
     Todos que nos conheciam diziam que já tinham lido essa história e sabiam exatamente como acabava.
     No início, era legal, era engraçadinho, era divertido, mas conforme o tempo foi passando, fomos tomando atitudes e, como esperado, alguém saiu machucado dessa brincadeira toda. No caso, nós dois.
     Acontece que não conseguíamos ficar longe do outro. Falávamos que não queríamos nos ver nunca mais, mas no dia seguinte, estávamos conversando de novo. Falávamos que nos odiávamos, mas nossa posse e crise de ciúmes provavam que não. Nada era capaz de nos afastar, nem mesmo nossos constantes desentendimentos. 
     Nosso relacionamento era um ioiô, ia e voltava, ia e voltava. Por mais que eu tentasse, eu sempre voltava para ele. O mesmo acontecia com ele. Éramos a Barbie e o Ken, a Pink e o Cérebro, o Jorge e o Matheus, um dupla que não existe sem o outro.
     A necessidade do outro era recíproco, e cada vez mais isso ia nos destruindo. Tinhamos sonhos, tinhamos objetivos, tinhamos metas, que não conseguíamos cumprir graças a nosso relacionamento complicado. Éramos viciados no outro, nada conseguia nos separar.
     Um dia, porém, tive que escolher se continuaria com esse amor viciante, que dia após dia ia se deteriorando por causa de atitudes infantis - que me aborreciam - e me impedia de seguir em frente, ou se, pela centésima vez, tentaria seguir em frente. Só que dessa vez, pra valer.
     Quis ser sensata e escolhi seguir em frente. O que eu não sabia era que deixando aquele amor viciante para trás, estava deixando o amor da minha vida.


Por cada noite sem dormir
Cada dia que passou
Por cada vez, cada vez que me senti assim
Pelo tempo que perdi
Que foi em vão e eu fiquei sem ter pra onde ir
Por cada hora que passou
Por alguém que, talvez, deixei de conhecer
Pelas cartas que escrevi
A tatuagem que eu fiz
Pra marcar o que hoje quero esquecer
Cada verso sem refrão
Você virou as costas pra quem te era bom
Mas não vou ficar aqui me lamentando por você
Essa é a última vez que faço essa ligação
Escute bem 
Porque quando eu desligar
Você não vai saber mais nada sobre mim
Chegamos ao fim
O ultimo alô
É na verdade um adeus.




| A parte final do texto, entre aspas é da música "Ligação" da banda Nx0.

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