sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

#DiárioDaFaculdade - matrícula, como me senti ao ter passado no vestibular e a reação da minha família, parentes e amigos #2

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São Paulo, 4 de janeiro de 2017

     Hoje fiz a matrícula e foi tudo super tranquilo. Vim com meu pai, porque sou menor de idade e meu responsável financeiro tem que vir comigo. Tivemos que tirar cópia de todos os documentos (minha identidade, identidade do meu pai, conta de água para comprovar residência, certificado de conclusão do ensino médio e histórico escolar), pagamos a 1ª mensalidade, assinamos o contrato (tanto eu quanto meu pai) e pronto, minha matrícula foi realizada. Sou oficialmente uma universitária.
     Não conheci a faculdade, só conheci o caminho da sala da matrícula até o local que tira xerox, dentro da faculdade mesmo, e vi que dentro da faculdade tem uma empresa de intercâmbio (yeah!!!!). Na parte da faculdade que andei, estranhei um pouco porque não parece nem um pouco com uma faculdade, parece o prédio da Polícia Federal ou o local onde tiramos o visto americano em Brasília (um corredor cheio de salinhas). Sei lá, não achei com cara de faculdade.
     Ah, e hoje mesmo já recebi um papel com a minha grade curricular e os horários da aula. Simplesmente amei minha grade! Tenho aula de fotografia, política, ética e escrita jornalística logo no 1º semestre!!!! Amei, amei, amei. Tenho muitas outras aulas, mas essas foram as que mais gostei logo de cara.
     Estou muito empolgada para as aulas começarem logo.



Cuiabá, 21 de janeiro de 2017

     Quase 20 dias passaram desde que fiz a minha matrícula na faculdade, então agora posso falar melhor como me senti durante todo esse período e como minha família reagiu ao saber que passei no vestibular e agora vou me mudar de cidade.
     Quando o resultado da 1ª chamada saiu e eu não passei, eu não tive reação, não quis chorar, não fiquei feliz por não ter passado e não precisar ir embora da casa dos meus pais, não senti que era uma fracassada, não senti nada além de alívio por, finalmente, a lista de aprovados ter saído. Mas esse alívio não quer dizer que eu estava feliz com o resultado, eu só sentia que era um peso a menos. Eu estava tão ansiosa e nervosa com esse resultado, que eu não dormia nem comia direito, eu só queria que todo esse estresse acabasse logo.
     Depois de alguns dias, a "anestesia" parecia que tinha acabado e voltei a raciocinar. Foi aí que fiquei decepcionada por não ter passado, eu tinha certeza que passaria e não passei, mas ao contrário do que sempre imaginei, eu estava tranquila até, não estava me culpando por não ter passado nem nada, eu apenas me dei um tempo para relaxar. Eu não tinha descansado ainda desde que os vestibulares tinham acabado (eu tinha feito o último no dia 11 e o resultado desse vestibular que passei, saiu no dia 14).
     Meus pais em momento algum brigaram comigo, falaram que estavam decepcionados ou que eu não tinha passado por falta de estudar, pelo contrário, eles estavam mais preocupados com a maneira que eu ia reagir, porque eu me cobro muito e eles sabem disso. Eles me parabenizaram muito por ter ido tão bem no vestibular (mesmo não tendo passado, errei pouquíssimas questões) e tentavam me consolar (sem tocar no assunto). Acho que como eu não me cobrei nada depois do resultado, eles não tiveram que ficar me consolando o tempo todo, falando que eu tinha ido bem e blá blá blá.
     Quando o resultado da 2ª chamada saiu e eu passei, eu tive um pouco mais de reação que quando não passei. Eu não chorei, não gritei, não fiz escândalo (até porque eu não sou do tipo que faz escândalo), mas eu fiquei feliz e tremendo. Apesar da felicidade, eu não estava raciocinando direito, eu ainda estava em um estado "anestésico", sem saber o que de fato significava passar no vestibular. Pra mim foi tipo "eu passei, uhuu, parabéns para mim" e só. Depois de comprar passagem pra ir fazer minha matrícula, eu continuei fazendo o que estava fazendo antes, não fiquei super feliz, super sorridente, sei lá, não foi uma super alegria, para mim foi uma notícia que gostei, mas não teve aquele super baque.
     Como eu estava na casa da minha avó passando férias, toda a família, amigos e conhecidos ficaram sabendo que passei no vestibular, aí todo mundo que me via, vinha até mim e me perguntava o que eu estava sentindo e se a ficha já tinha caído. Todos perguntavam muito sorridentes. Eu ficava meio sem graça, porque não sentia nada. Para não ser estraga prazeres ou passar a imagem que eu estava nem aí para o acontecimento, eu falava: "ah, eu estou muito feliz e acho que a ficha só vai cair mesmo quando eu estiver em São Paulo fazendo faculdade, porque eu ainda estou aqui passando férias, ainda não mudou nada a minha rotina" e sorria. Essa era a resposta pronta que eu usava para todo mundo. As pessoas ao meu redor pareciam mais felizes que eu com a notícia. Todo mundo sempre soube que desde 13/14 anos eu falava que queria ir embora para São Paulo, então por isso todos estavam ainda mais felizes por mim. Eu estava feliz, SIM, mas tenho um jeito muito fechado, não consigo demonstrar o que sinto tão facilmente.
     Tudo foi festa até eu ver minha mãe e minha irmã desabando de tanto chorar porque eu ia embora. Elas estavam no quarto e eu entrei para pegar alguma coisa e vi as duas chorando. Elas tentaram disfarçar (impossível, minha mãe com os olhos e nariz super vermelhos), mas não teve jeito. Na hora a minha alegria acabou. Não tinha como estar feliz sabendo que minha mãe e minha irmã estavam chorando. Sem falar no meu pai que, por alguns dias, toda vez que me olhava enchia os olhos de lágrimas. A pior parte de ter passado no vestibular, sem dúvidas, foi ver meus pais chorando porque eu iria embora.
     Minhas tias ficaram sem reação quando souberam. Elas se colocaram no lugar dos meus pais e sentiram a dor deles. Já meus tios, ficaram super felizes por mim e me parabenizaram muito.
     Para meus primos, que são todos adultos, foi só festa. A caçulinha da família estava entrando na faculdade e em seu mundo de 'putaria', como eles dizem. Sem falar que eles viram a minha mudança para SP como uma forma de fazer turismo.
     E meus amigos foram os que tiveram reação mais parecida com a dos meus pais. Choraram muito. Falaram que estavam muito felizes por eu ter passado no vestibular, por eu estar indo para a cidade que mais amo no mundo, mas que isso não tirava a dor que eles estavam sentindo. Tentei consola-los falando que todo mês eu iria para a cidade que meus pais moram, que é a mesma cidade deles, e que meu apartamento em SP estará de portas abertas para recebe-los, mas isso não adiantou muita coisa.
     Já comecei a empacotar as coisas que vou levar para meu ap em SP, mas como minhas aulas só começam dia 20 de fevereiro, ainda tenho 1 mês de férias. Tenho bastante tempo para arrumar minhas coisas e dá para eu sair muito com meus amigos ainda.
     Até agora, em momento algum senti tristeza por estar deixando minha cidade. Pelo contrário, estou muito feliz por já estar indo começar faculdade. Com 21 anos me formo #surreal.

Esse foi o 2º post do Diário da Faculdade. Como vai demorar para as minhas aulas começarem, vai demorar um pouco para ter outros posts do diário, mas ainda vou escrever sobre como foi arrumar minhas coisas para levar, o que vou levar da minha casa atual para meu ap em SP, como foi para alugar ap, a despedida e a mudança. Como ainda não achei o ap que vou ficar, esse post deve demorar um pouquinho para sair, mas é só ficarem de olho no blog para saber quando o post sai. É isso. Espero que estejam gostando do diário e se tiverem alguma pergunta ou quiserem dividir experiências, os comentários estão aí para isso :)

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